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Nonsense como Salvação (Coletânea de pensamentos)
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"A raça humana irá começar a resolver seus problemas no dia que cessar de se encarar tão seriamente.
Para tal fim, a POEE propõe o contrajogo de NONSENSE COMO SALVAÇÃO.
Salvação de uma existência feia e bárbara que é o resultado de tomar a ordem tão seriamente e temer tão seriamente ordens contrárias e desordem, que JOGOS são tomados como mais importantes que a VIDA; em lugar de tomar a VIDA COMO A ARTE DE JOGAR JOGOS.
Para este fim, nós propomos que o homem desenvolva o amor inato dele pela desordem, e jogue com a Deusa Éris. E sabe que é um jogo jovial, e assim será REMOVIDA A MALDIÇÃO DE CARACINZA.
Se você poder dominar o Nonsense como você já aprendeu a dominar o senso comum, então cada um exporá o outro para o que realmente é: absurdo. A partir deste momento de iluminação, um homem começa a ser livre não importa seu ambiente. Ele fica livre para jogar jogos de ordem e os mudar à vontade. Ele fica livre para jogar jogos de desordem só pela confusão de fazer isto. Ele se torna livre para jogar nenhum ou ambos. E como o mestre dos seus próprios jogos, ele joga sem medo, e então sem frustração, e então com o bem em sua alma e amor em seu ser.
E quando os homens se tornarem livres então a humanidade será livre.
Que você esteja livre da Maldição de Caracinza.
Que a Deusa ponha faíscas em seus olhos.
Que você tenha o conhecimento de um sábio e a sabedoria de uma criança.
Salve Éris." - Malaclypse, o Mais Jovem - Principia Discordia
 

"A argumentação (sur)realista como geradora de confusão

Entendemos a confusão, o caos individual e o não-sentido como o primeiro momento de desterritorialização do indivíduo. Sendo através deste ato apriore, carregado de sentimento nonsense, o impulso inicial de uma pretensa reação cheia de significado, contestador por si só." - Timóteo Pinto
 

Os chistes e sua relação com o inconsciente (1905) [Freud,S.]
 

1905 Leipzig e Viena: Deuticke, Pp. ii + 206.

1912 2ª ed. Mesmos editores. Pp. iv + 207.

INTRODUÇÃO - DER WITZ UND SEINE BEZIEHUNG ZUM UNBEWUSSTEN
 

"(...)Outras idéias, mais ou menos inter-relacionadas, que têm emergido para a definição ou a descrição dos chistes, são as seguintes: um contraste de idéias, sentido no nonsense, desconcerto e esclarecimento.

Definições como a de Kraepelin enfatizam como fator principal o contraste de idéias. Um chiste é a conexão ou a ligação arbitrária, através de uma associação verbal, de duas idéias, que de algum modo contrastam entre si. (...)" Zur Psychologie des Komischen, Kraepelin, E. (1885), Philosophische Studien, ed. W. Wundt. 2, 128 e 327, Leipzig.]

Sobre esta citação de Kraepelin, Freud conclui:

"(...)Se esse ponto for mais desenvolvido, o contraste entre sentido e nonsense torna-se significante. Aquilo que, em certo momento, pareceu-nos ter um significado, verificamos agora que é completamente destituído de sentido. Eis o que, nesse caso, constitui o processo cômico. Um comentário aparece-nos como um chiste se lhe atribuímos uma significância dotada de necessidade psicológica, e tão logo tenhamos feito isso, de novo o refutamos. Essa significância pode querer dizer várias coisas. Atribuímos sentido a um comentário e sabemos que logicamente ele não pode ter nenhum. Descobrimos nele uma verdade, fato impossível de acordo com as leis da experiência ou com nossos hábitos gerais de pensamento.(...)".

http://arsm0.tripod.com/extensao/id14.html
 

"Diz-se que toda obra de arte resguarda um nonsense, bordando em suas bordas, margens, litorais a instauração da verdade, pela eclosão do ente desvelado, o além do saber, o que transcende e aponta para o indizível, para o impossível, para o limite."

BISPO com QUIXOTE
 

CAOS LINGUÍSTICO

AINDA NÃO UMA CIÊNCIA, mas uma proposição: que certos problemas de linguística possam ser resolvidos através da abordagem da linguagem como um sistema dinâmico complexo, ou "campo caótico".
De todas as escolas originadas pela linguística de Saussure, temos especial interesse por duas: a primeira, "antilingüística", pode ser encontrada - no período moderno - da partida de Rimbaud para a Abissínia à afirmação de Nietzsche "temo que, enquanto tivermos gramática, não teremos matado Deus"; passando pelo dadaísmo; "o Mapa não é o Território" de Korzybski; pelos cut ups e pela "ruptura na sala cinza" de Burroughs; pelo ataque de Zerzan à própria linguagem como representação e mediação.

A segunda é a linguística de Chomsky que, com sua crença numa "gramática universal" e seus diagramas em forma de árvores, representa (eu acredito) uma tentativa de "salvar" a linguagem através da descoberta de "invariáveis ocultas", do mesmo modo que certos cientistas estão tentando "salvar" a física da "irracionalidade" da mecânica quântica. Embora fosse de se esperar que Chomsky, como anarquista, ficasse do lado dos niilistas, a sua belíssima teoria em verdade tem mais a ver com o platonismo ou com o sufísmo do que com o anarquismo. A metafísica tradicional descreve a linguagem como luz pura brilhando através dos vidros coloridos dos arquétipos; Chomsky fala de gramáticas "inatas". As palavras são folhas, os ramos são frases, os idiomas maternos são limbos, as famílias de linguagem são troncos e as raízes estão no "céu"... ou no DNA. Eu chamo a isso "hermetalingüística" - hermética e metafísica. O niilismo (ou a "Metalingüística Pesada", em honra a Burroughs) parece-me ter levado a linguagem para um beco sem saída e ameaçado torná-la "impossível" (um grande feito, mas deprimente), enquanto Chomsky mantém a promessa e a esperança de uma revelação de última hora, o que eu acho igualmente difícil de aceitar. Eu também gostaria de "salvar" a linguagem, mas sem apelar para nenhuma "Assombração", ou supostas regras sobre Deus, dados e o
universo.

Voltando a Saussure e suas anotações, postumamente publicadas, sobre anagramas na poesia latina, encontramos certas indicações de um processo que, de alguma forma, foge da dinâmica signo/significante.
Saussure se deparou com a possibilidade de algum tipo de "meta"-lingüística que acontece dentro da linguagem em vez de ser imposta desde "fora" como um imperativo categórico. Assim que a linguagem começa a atuar, como nos poemas acrósticos que ele examinou, ela parece ressonar com uma complexidade autoexpansiva. Saussure tentou quantificar os anagramas, mas os números escapavam dele (como se envolvessem equações não-lineares). Além disso, ele começou a encontrar os anagramas por todo lado, mesmo na prosa latina. Começou a se perguntar se estava tendo alucinações, ou se os anagramas eram um processo natural inconsciente da parole. Abandonou o projeto.

Eu me pergunto: se quantidades suficientes de informações desse tipo fossem digeridas num computador, começaríamos a ser capazes de modelar a linguagem em termos de sistemas dinâmicos complexos? As gramáticas, então, não seriam "inatas", mas emergiriam do caos espontaneamente como "ordens superiores" que evoluem, no sentido da "evolução criativa" de Prigogine. As gramáticas poderiam ser pensadas como "Estranhos Atratores", como o padrão escondido que "causou" os
anagramas - padrões que são "reais", mas que têm "existência" apenas em termos dos sub-padrões que manifestam. Se o significado é elusivo, talvez seja porque a própria consciência, e portanto a linguagem, seja fractal.

Considero essa teoria mais satisfatoriamente anarquista do que qualquer antilingüistica ou chomskyanismo. Ela sugere que a linguagem pode sobrepor-se à representação e à mediação, não porque seja inata, mas porque é caótica. Ela sugere que toda experimentação dadaísta (Feyerabend designou sua escola de epistemologia científica de "dadaísmo anárquico") com poesia sonora, gestos, chistes, linguagem bestial etc. não foi feita com o objetivo nem de descobrir nem de destruir o significado, mas de criá-lo. O niilismo afirma sombriamente que a linguagem cria significado de forma "arbitrária". O Caos Linguístico alegremente concorda com isso, mas adiciona que a linguagem pode superar a linguagem, que a linguagem pode criar liberdade a partir da confusão e da decadência da tirania semântica.

Apêndice A de "TAZ (Temporary Autonomous Zone), Zona Autônoma Temporária" - Hakim Bey

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Textos
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MultiCabala dos Muito Confusos
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