|
webhosting |
Alice & Budapor Elijah Mú Shion
-"Em que inferno de realidade caí?!", Alice exclamou, enquanto o gato louco em cima da árvore desapareceu mais uma vez."Bichano estranho...", pensou irritada. "Eu não sou louca, por mais que digam. Não sou, não sou, não sou!", esbravejou sentando sob a árvore, completamente emburrada.
Buda estava de passagem por ali, e notou Alice, pensando "Há poder nessa daí". Alice observou o jovem esbelto, muito belo e perguntou: "Pareço uma louca para o senhor?", ao que Buda respondeu: "A mim você me parece é uma fofura!", e piscou. Alice suspirou, pelo jeito ninguém via o sofrimento que era cair num lugar muito esquisito, onde todos eram loucos, e ninguém entendia nada, muito menos um careca bobão que nem aquele.
Alice perguntou: "O senhor se considera louco?", Buda sentou ao seu lado, sob a árvore, e respondeu, num tom de conquistador: "Eu era. Mas descobri que tudo é dor, e resolvi deixar de ser louco. As vezes me arrependo...". "Porque o senhor se arrepende?", Alice diz, verdadeiramente curiosa. "Eu era um louco e vivia feliz, mas então saí da casa de meus pais e conheci este mundo que agora vemos, com todas suas atribulações, e me tornei uma pessoa engajada em deixar as pessoas ainda mais loucas. Eu prego que quando ficarmos realmente loucos, e sairmos de nossa cabeça, vamos deixar de sofrer. Na verdade também vamos deixar de SER, mas isto é detalhe...". "Puxa!", disse Alice com os olhos arregalados, pensando para si: "Este daí é o mais louco de todos..."
Foi então que o Gato voltou e disse: "Vou dar uma volta, não comam nenhuma das minhas frutinhas, ou vocês se arrependerão!". Alice e Buda se assustaram com a reverberação produzida pela última palavra, não sabiam que o Gato era fã de filmes bíblicos, e tinha uma central de efeitos para produzir um Jeová bem furioso, do jeito que as pessoas costumavam gostar, na época do antigo testamento.
O Gato saiu para caçar uma pomba e uma serpente, como era costume dos seus antepassados no Egito Antigo, que por sinal eram mais bem tratados que os Judeus . Encontrou uma serpente, pagou a gorjeta de praxe e disse: "Seguinte... vai ali na Árvore e tenta aquela menina. Faz ela comer o fruto proibido". Ao que a serpente respondeu: "Ok, Gato Doido, mas tenta me explicar o porquê disso tudo antes...". O Gato sacudiu a cabeça enquanto pensava em uma desculpa qualquer para a peça que iria pregar e soltou esta: "Ahh... é que meus descendentes, os Leões, vão ser bem alimentados por causa disto...". Pensou depois: "Serpente burra. Não entende nada de teologia ou biologia!", e riu para si.
Alice, que não havia percebido as frutinhas antes (mesmo porque elas não existiam alguns segundos atrás de qualquer forma, quando o Gato criou a Árvore) começou a salivar ao vislumbrá-las. Pegou uma delas, deu uma mordida e ofereceu para Buda, que disse: "Não, não... não estou a fim de uma grande discussão dogmática com cristãos fundamentalistas, é melhor não misturar as religiões...", mas Alice parecia tão tentadora, que ele não resistiu. Alice pensou: "Ele é chato, mas até que é bonitinho."
A esta altura, o Gato havia encontrado a Pomba, e pedido a ela que suspirasse de leve no ouvido de Buda, aconselhando-o a não comer a frutinha. A Pomba não perguntou nada, já que estava acostumada a transmitir mensagens, e não exigiu pagamento.
Quando a Serpente chegou, Alice já tinha comido a frutinha. A cobrinha então teve que passar para o plano B, ou teria que devolver o dinheiro... Começou a encarar Buda, e colocou bastante Desejo em seu coração. Buda olhou para Alice com fogo nos olhos, e pensou em matar seu desejo, saciando-se . A Pomba viu a cena, e comentou no ouvido de Alice: "Este aí está fisgado!".
Não preciso dizer que foi neste dia que Alice virou mulher e Buda alcançou o Nirvana. A Serpente, que foi enganada por Buda e acabou tentando Alice, como ele Desejava, acabou perdendo o dinheiro para a Pomba no poker, que por sua vez, em plena e vergonhosa caridade cristã, doou para um mosteiro budista. O Gato riu-se tanto do desfecho da história que a ditou para alguns profetas malucos, que não entenderam metade do que ouviram. Isto causou alguma confusão.
-