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por Phil Hine
Um aspecto da Magia do Caos que parece perturbar algumas pessoas é o Mágico do Caos (ou Caoista se preferirem) gostar muito de trabalhar com imagens tiradas de fontes não históricas, tal como invocar seres do Mito de Chtulhu de H.P. Lovecraft, fazendo mapas do espectáculo de terror na Árvore da Vida, viajar no vazio astral numa nave de combate da guerra das estrelas, e canalizar informação de Deuses que não existiam há 5 minutos.Por isso pode ver que este tipo de coisas para magia séria faz erguer algumas sobrancelhas em alguns bairros. Afinal o material de Lovecraft não é ficção? E fazer ligação com “planos interiores”, “tradições”, etc. – de certeza que não pode fazer magia com algo que não tem nenhuma ligação à história ou mitologia?No passado, tais críticas foram levantadas por os mágicos trabalharem com entidades “ficcionais”. Nesta secção espero poder contrariar tais argumentos.O primeiro ponto a fazer é o de que a magia requer um sistema de crença em que trabalhar. O sistema de crença é a construção simbólica e linguistica em que um mágico aprende a interpretar as suas experiências e pode abranger tudo desde a velha tradicional Qabalah até ao novo New Age “Eu-ouvi-isso-de-um-Shaman-pele-vermelha-honesto” que parece tão popular hoje em dia. Não interessa o sistema de crença que usa, desde que o excite. Leia isto outra vez, é importante. Eventualmente a maioria dos mágicos parece desenvolver o seu próprios sistemas mágicos que trabalham bem com eles mas que incomodam as mentes para outros usarem, com o Alfabeto do Desejo de Austin Osman Spare como um bom exemplo.Uma chave para o sucesso mágico é a veracidade das crenças. Se quiser tentar algo, e conseguir uma explicação plausível de como/porquê deve funcionar, então quase de certeza que vai. A Pseudo Ciência ou a Simbologia Qabbalistica (ou ambos) – pouco interessa desde que a armazenagem racional em si tire a força da sua ideia que está a trabalhar. Eu sei que isto acontece muito quando tento empurrar os limites de uma acção mágica que nunca tentei antes. Uma vez surgida a explicação plausível de como podia funcionar em teoria, então claro, estou muito mais confiante ao faze-lo, e posso transmitir essa confiança a outros. Se estiver 110% certo que esse ritual “vai funcionar perfeitamente” então é muito provável que vá.Pode experimentar isto com a técnica de saltar de crenças (Robert Anton Wilson chama-lhe Meta Programação), e um bom exemplo são os chakras. Uma visão popular dos chakras é a de que temos sete. Está bem, então medite nos seus chakras, martele o simbolismo na sua cabeça e presto! Começa a ter experiências de 7 chakras. Agora mude para a ideia de ter 5 Sephirots ou o Pilar do Meio (Qabalah) quando a psique se centra no seu corpo, e de certeza, vai conseguir resultados em consonância. Apanhou a ideia?
Qualquer sistema de crença pode ser usado como base em magia, desde que possa investir querer nele. Olhando para os meus primeiros anos em experiências mágicas, o que era importante para mim era de que a crença forte que o sistema usava era antiga, baseada em formulas tradicionais, etc. Um sistema de crença pode ser visto como uma matriz de informação em que podemos por energia emocional – fazemos tanto, quanto ficamos embevecidos a ver uma peça, filme ou programa de televisão que por um momento, é real para nós, e invoca emoções apropriadas. Muito do que vemos ser servido no écran prateado são figuras e situações míticas poderosas, novos embrulhos para gostos modernos, que é uma linha para falar da “Star Trek”.
Há mais pessoas familiares com o universo da Star Trek do que com qualquer religião misteriosa. É seguro apostar que mais pessoas vão saber quem é o Sr. Spock, do que quem sabe quem foi Lugh. O universo Star Trek tem um alto grau de fantasia, e aparentemente poucos pontos de contacto com a nossa experiência “diária”. No entanto a Star Trek é um reflexo da nossa moderna e mítica psicologia. As personagens corporizam qualidades – Spock é lógico, Sulu é muitas vezes retratado como figura marcial, Scott é um “construtor mestre”, e Kirk é um árbitro, que procura sempre a resolução de conflitos por meios pacíficos. Quando “nós entramos” no universo da Star Trek, sentimos maior profundidade e subtilezas. Descobrimos que o universo tem as suas próprias regras a que as personagens estão sujeitas, e é internamente consistente. A cada episódio, podemos descobrir que nos são dadas novas perspectivas interiores sobre personagem chave. Tal como o nosso mundo diário, o universo da Star Trek tem um limite entre o que é o desconhecido – o futuro, espaço por explorar, as consequências das nossas acções – sejam quais forem as cartas que nos são dadas. Assim vemos televisão, e entramos, como observadores, o desenrolar dum acontecimento mítico. Podemos aumentar este sentido de participação através dum jogo de personagens, aonde a crença de um grupo nos permite gerar, pelo menos por algumas horas, o aspecto do universo Star Trek, no conforto da sua sala de estar. É relativamente fácil gerar o mundo da Star Trek, devido aos muitos livros, banda desenhada, vídeos e jogos de role-play que estão disponíveis para suportar esse universo.
A prova final de tudo isto foi um colega meu que estava a fazer um exame num computador, e estava a arrebentar a sua cabeça a tentar pensar numa forma de deus apropriada para invocar em si para se concentrar a programar. Mercúrio? Hermes? E depois descobriu – a figura mítica mais poderosa que ele conhecera que podia lidar com computadores era o Sr. Spock, aprendendo tudo o que podia sobre Spock e começando a andar à sua volta dizendo “Eu nunca vou entender os humanos” até estar bastante Spock-ifado. E teve a nota máxima assim!
Assim de volta ao Mito de Chtulhu. O próprio Lovecraft era da opinião de que o medo, em particular o medo do desconhecido, era a maior emoção ligada aos Grandes Velhos Antigos. O motivo porque gosto de trabalhar com este Mito ocasionalmente é que os Grandes Velhos Antigos estão “fora” da maioria das mitologias humanas, reflectindo a sombra dos Gigantes no Mito de Norse, os Titãs pre-Olimpo nos Mitos gregos, e outros grupos de Deuses tidos como construtores do universo que são vistos como demasiado caóticos para companhia dos deuses do universo ordeiro. Para mim também, a natureza dos Grandes Velhos Antigos como seres sombrios que só podem ser parcialmente vislumbrados é atractiva – eles não podem ser assimilados e presos a qualquer sistema ortodoxo de magia e Eu gozo muito em conseguir aproximações apropriadas para trabalhar com eles. Os Grandes Velhos Antigos têm uma natureza muito “primitiva”, que para mim dá armazenagem emocional para exploração mágica. Tendo dito tudo isto, e sem dúvida deixei-o a pensar “Uurgh, pessoa estranha, ele gosta de brincar com tentáculos viscosos”, também posso mencionar que tive prazer em trabalhar com o sistema mítico dos livros de (corar) C.S. Lewis “Narnia”.
O que é interessante sobre meta programação é que pode adoptar uma crença por um período de tempo relativamente curto, e depois deixa-lo outra vez. Quando se pratica magia ritual geralmente é boa ideia, pensando o que quiser sobre Deuses serem arquétipos ou reflexos de pedaços de si ou o que for, comportar-se como se eles fossem reais. Assim num ritual dos Mitos de Chtulhu, nada vai ajudar a construir a tensão necessária de que se se enganar Chtulhu vai despedaça-lo! Claro, que fora do ritual não tem que acreditar em Chtulhu e de que mesmo a gora uma garra viscosa acaba de aparecer na minha janela...não! Não! ...ahem, desculpem isto. Relacionado com isto está que a “suspensão do não acreditar” também pode ser útil. Para fazer isto, arranje um livro que exponha uma ideia que ache um lixo (todos os mágicos têm um autor de “lixo” favorito) e tente ver a mensagem do autor sem a sua voz interior começar a gritar abuso a cada página. Uma das “suspensões” mais difíceis para mágicos que fogem é passarem a dúvida de que “todo este material não funciona”. Apesar das horas perdidas a ler vasta literatura de Crowley e os seus colaboradores, este irritante desacreditar ainda pode ser ouvido, e só pode ser expulso pela experiência – um acto que lhe mostre que a MAGIA FUNCIONA vale mil argumentos.
A minha conclusão é que a intensidade da crença é a chave que permite sistemas mágicos funcionarem, estejam relacionados com a tradição histórica (que, vamos encarar as coisas, são muitas vezes re-escritos, de qualquer maneira), tradições esotéricas (que também evoluíram ao longo dos séculos) ou baseados em ficção ou televisão. É sua a habilidade de ser emotivamente movido ou usar as coisas como veículo para expressar a sua vontade que conta.
Se funciona consigo - faça-o.
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