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CAOS PRONTO-A-COMER
por Phil Hine

 
O que é a Magia?


O que é a magia? Várias definições flutuam a minha mente, mas nenhuma delas lhe faz justiça completa. O mundo é magico; podemos ter esse sentimento depois de escalar uma montanha e olharmos para baixo, ou na satisfação tranquila ao fim de um “daqueles dias” em que tudo nos correu bem. A Magia é uma porta que nos faz entrar no mistério, no mundo selvagem, e na imanência.

Vivemos num mundo sujeito a extensivas e aparentemente, abraçando todos os sistemas de controlo sociais e individuais, que continuamente nos alimentam com a mentira de que estamos todos sós, sem apoio e sem poder para efectuarmos mudanças. A Magia é sobre mudanças. Mudar as suas circunstancias para que possa lutar para viver de acordo com um sentido de desenvolvimento da sua responsabilidade pessoal sobre si; de que pode efectuar mudanças ao seu redor se quiser; de que não somos cogumelos indefesos num universo com a mecânica de um relógio. Todos os actos que libertem pessoalmente/colectivamente são actos mágicos. A Magia leva-nos ao êxtase e delírio; para perspectivas interiores e compreensão; a mudarmo-nos e ao mundo em que participamos. Através da magia nós podemos chegar a explorar as possibilidades da liberdade.

Certamente isto é simples o suficiente? Mas não, a magia ficou ofuscada sob o peso de palavras, um poço de termos técnicos que excluem um não iniciado e serve aqueles que querem um calão “cientifico” em que legitimem as suas aventuras em algo auto importante e pomposo. Espaços espirituais abstractos foram criados, e no meio dos quais surge uma torre de Babel como uma construção de lego de “planos internos”, hierarquias espirituais e “verdades ocultas” que se esquecem de que o mundo há nossa volta é mágico. O misterioso foi mal colocado. Nós procuramos através de linguagens mortas e sepulturas por “conhecimentos secretos”, ignorando o mistério da vida que está todo há nossa volta. Assim de momento esqueçam o que leram sobre iluminação espiritual, tornarem-se Magos do Grau 99º e de impressionarem os vossos amigos com truques “antes-da-caminha”. A Magia é surpreendentemente simples. O que nos pode oferecer?

1. Um meio de se desembaraçar das atitudes e restrições com que cresceu e que definem os limites daquilo que você pode ser.

2. Maneiras de examinar a sua vida para ver bem, entendendo e modificando comportamentos, emoções e padrões de pensamento que “agarram” o crescimento e a aprendizagem.

3. O aumentar de confiança e carisma pessoal.

4. Um alargar das suas perspectivas sobre aquilo que é possível, depois de ter posto coração e mente nisso.

5. Desenvolver habilidades pessoais, capacidades e percepções – quanto mais vemos o mundo, mais apreciamos de que ele está vivo.

6. Achar engraçado. A Magia deve ser desfrutada.

7. Trazer mudanças – de acordo com a vontade.
 

A Magia pode fazer tudo isto, e mais. É um aproximar há vida que começa pelas premissas mais básicas – de que preciso para sobreviver? – como quero viver? – Quem quero ser? – e isto dá um conjunto de armas conceptuais e técnicas para alcançar esses objectivos. A Magia do Caos é uma das muitas maneiras de “fazer magia”, e este texto é uma introdução concisa há aproximação do Caos.
 

O que é a Magia do Caos?
 

O que é a Magia do Caos? Boa pergunta. Desde que apareceu na cena mágica no fim dos anos setenta gerou um grande debate sobre o que é, o que não é, e quem a está a fazer bem – tais argumentos circulares são amados por ocultistas, assim parece. Neste ponto é tentador começar uma longa discussão sobre a história da magia que nos leve até há magia do Caos, mas em vez disso vou-me limitar a uma rápida generalização e dizer que antes do Caos apareceu o chutar e gritar em cena, a aproximação dominante em “fazer magia” (e ainda é, a largo nível) era a aproximação do “sistema”.

Então o que é um sistema mágico? Os sistemas mágicos combinam exercícios práticos para trazer alterações hás crenças, atitudes, um modelo conceptual do universo (senão vários), uma ética moral, e algumas coisas mais. Exemplos disso são a Qabalah, a diferente “tradição” Wiccan, A Aurora Dourada (The Golden Dawn) e o seu sistema de magia com diversos graus, costumes, chavões, e o numero crescente de “shamanismo” ocidental e dos caminhos que daí proliferam hoje. No que respeita há maioria dos sistemas, antes de poder começar a usar a sua varinha ou saltar para cima e para baixo na sua cabeça até conseguir iluminação, você tem que passar um bom tempo a ler as crenças associadas ao sistema, aprender o que se pode e o que não se pode fazer, empenhar-se em memorizar símbolos e correspondências, em como falar com os seus colegas de magia, e em alguns casos extremos, como se deve vestir, andar e mastigar pastilha elástica ao mesmo tempo. Como é que isto é assim? Bem, a magia, tal como algumas das grandes mensagens religiosas é na sua essência simples, mas é presa do processo que transforma ideias simples em crenças extremamente complicadas que o podem levar mais e mais longe de fazer seja que magia for. Recue no tempo até há era paleolítica “até encontrar algures” um Shaman tribal sentado sobre uma pedra espreitando as visões reveladas por um pedaço de pele de sapo. Agora salte alguns milénios para a frente e encontrará um “sistema mágico” composto por milhares de palavras, diagramas obscuros e apêndices que provavelmente em alguma altura lhe vão dizer, que as drogas são um não-não.

O nascimento da magia do Caos surge no fim dos anos 70, na altura em que o punk rock estava a começar a cuspir na industria musical e a Ciência do Caos começava ser levada a sério por matemáticos, economistas, e físicos. Os dois nomes mais associados ao nascimento da magia do Caos são Pete Carrol e Ray Sherwin, apesar de haver outros a trabalhar nos bastidores, tal como a Stoke Newington Sorcerors – SNS (feiticeiros de Stoke Newington) que mais ficaram ligados aos primeiros passos do movimento Punk.

Alguns dos primeiros trabalhos de Pete Carrol sobre o Caos foram publicados na revista The new Equinox, publicada por Ray Sherwin, na qual apareceram os primeiros anúncios dizendo a chegada dos Illuminates of Thanateros – IOT (Iluminados de Thanateros) ordem mágica que ia aparecer. Interessante é não haver referência ao termo “caos” nas primeiras versões do material da IOT.

Depois a empresa Morton Press de Ray Sherwin lançou o livro Liber Null de Pete Carrol, e do próprio Sherwin The Book of Results, que expunham métodos práticos de “Sigilização” desenvolvidas por Austin Osman Spare, e que se tornaram técnicas do coração associadas há magia do Caos.

O início do crescimento da magia do Caos caracterizou-se por uma rede algo afastada de grupos informais que se juntaram para experimentar as possibilidades da nova corrente. Com o encerramento da revista The New Equinox, os “miúdos do caos” contaram os seus resultados heresias nas páginas da nova revista de Chris Bray, The Lamp of Thoth. Os primeiros livros do Caos foram então acompanhados por duas cassetes “The Chaos Concept” aonde se discutiam as bases da magia do Caos, e “The Chaochamber”, um trabalho de ficção cientifica que combinava elementos da Star Trek, Michael Moorcock e H.G.Wells.

A mensagem básica da magia do Caos é, o que é fundamental para a magia é faze-la – como o sexo, nenhuma quantidade de teorias e intelectualização podem substituir a experiência. O Liber Null de Pete Carrol, então, apresentou teorias nuas até ao osso de técnicas mágicas que podem ser empregues para trazer alterações nas circunstancias pessoais de cada um. O Liber Null concentrava-se em técnicas, dizendo que os actos básicos de magia são partilhados pelos diferentes sistemas, apesar da diferença de símbolos utilizados, crenças e dogmas. O sistema de símbolos que desejar usar é uma questão de escolha, e a teia de crenças que os rodeiam são meios para um fim, em vez de um fim em si (mais sobre isto depois).

Uma importante influência no desenvolvimento da magia do Caos foram os escritos de Robert Anton Wilson e companhia, em particular a Sociedade Discordiana que reverenciavam Eris, a Deusa Grega do Caos. Os Discordianos apontaram que o humor, fazendo palhaçadas e em geral de coração leve estava ausente da magia, que tinha tendência para se tornar muito “séria e auto importante”. Havia então (e a certos níveis permanece) a tendência de os ocultistas pensarem neles próprios como uma “elite” iniciada em oposição há restante humanidade.

Ao contrário da maioria dos sistemas que se baseiam em algo mítico ou derivado do passado histórico (tal como a Atlântida, Lemuria, Albion, etc), a magia do Caos é um sistema que permite a qualquer indivíduo utilizar o que ele/ela acharem adequado como crença temporária ou sistema de símbolos. O que interessa são os resultados obtidos, não a “autenticidade” do sistema empregue. Assim a magia do Caos não é um sistema – utiliza sistemas e encoraja os aderentes a desenvolverem os próprios sistemas, dando há magia um sabor pós moderno.

Escusado será dizer, que a magia do Caos começou a ganhar uma reputação sinistra. Isto deveu-se a três factores; primeiro a aproximação “agarre e misture/faça você mesmo” há magia foi enxovalhada pelas escolas “tradicionalistas”; segundo muitas pessoas associaram caos com “anarquia” e outras associações negativas; e em terceiro algumas publicações da magia do Caos foram sobre valorizadas como sendo “blasfemas, sinistras, e perigosas” de uma forma que elas não eram, e que provou ser um atractivo para aqueles que precisavam de acalentar o ego dessa maneira.

A meio da década de oitenta deu origem a uma “segunda vaga” da Corrente do Caos. 1985 viu a publicação de The Cardinal Rites of Chaos, pelo pseudónimo de “Paula Pagani”, que descrevia os ritos sazonais efectuados pelo grupo baseado em Yorkshire “Circle of Chaos”. Então, por essa altura a cooperação entre expoentes do Caos dera origem a lutas legais, guerrilhas literárias, e mesmo batalhas mágicas. Para alguns, magia do Caos = montes de dinheiro, enquanto outros descobriram que tinham uma “posição” a manter enquanto porta vozes do movimento. Fiel há sua natureza, o Caos dividiu-se e começou evoluir novamente em direcções diferentes. Três revistas emergiram para continuarem o debate sobre o Caos – Chaos International, Nox, e Joel Birroco’s Chaos.

A Chaos International foi formada com base na ideia de trabalhar em rede, mais especificamente a ideia de alterar de as mãos do editor em cada numero. Uma boa ideia em principio, deu origem a problemas práticos tais como mudanças de endereço, obtenção de cópias atrasadas, e querer que cada numero virtualmente se auto sustentasse. A Chaos International sobreviveu a 5 mudanças de editor, depois disso passou para as mãos de Ian Read, que teve o trabalho de a produzir desde então. Agora a Chaos International é uma revista madura e uma das melhores em ideias mágicas inovadoras.

A revista Nox surgiu no selvagem sul de Yorkshire para servir uma mistura de magia do Caos, material do caminho da mão esquerda, e experiências Thelemitas, que se tornou numa das melhores experiências de revista enquanto publicação de magia experimental de uma variedade de fontes diferentes. Desde a sua concepção, cresceu de uma fanzine de formato A5 para o estatuto de papel de livros.

A Joel Birroco’s Chaos introduziu uma perspectiva Situacionista no debate sobre o Caos, e previu que as experiências com o fascínio do Caos se tornaria inevitavelmente num acessório de moda, e depois começou a identificar vários “lideres” mágicos e a destrui-los com o cinismo de um conjunto de “velhos gregos”.

O debate sobre a progressão da Corrente do Caos passou por estas revistas e a já mencionada Lamp of Thoth. Os argumentos começavam numa e espalhavam-se rapidamente para outra, e os lados eram engolidos como sendo apenas vozes de aliança com outros, e no entanto alinhar-se com as ideias de Birroco revelou-se um erro táctico, pois ele invariavelmente apoiava os seus aliados só para os esmagar uns tempos depois.

Em 86, foi lançado pela S.A. Press o livro de Julian Wilde, Grimoire of Chaos magic, o primeiro livro a surgir fora dos círculos de Sherwin/Carrol. Apesar de muitas críticas de outras facções do Caos, nunca se ouviram explicações do Sr. Wilde, nem nunca mais se ouviu falar dele desde aí. O Grimoire separava-se radicalmente das outras aproximações ao Caos, particularmente na sua asserção de que a magia do Caos era por si só, “um sistema”. A seguir a este livro apareceu uma cassete chamada The Chaosphere, e depois, outro livro, The Apogeton, por Alawn Tickill, que vinha marcado como sendo um “manual do Caos” apesar do livro em si fazer poucas referências há magia do Caos. Nenhum destes lançamentos foi acolhido favoravelmente pelas outras facções do Caos, e esta “terceira vaga” do Caos desenvolveu-se no aspecto de vozes levantadas em dissonância, desafios de mal dizer publicados, e morder por trás nos bastidores.

No fim de 87, um dos grupos mais estranhos na magia do Caos, the Lincoln Order Of Neuromancers (L.O.O.N.) anunciou a morte da magia do Caos, dizendo no seu livro de circulação livre “em corrente”, Apikorsus, que:

“A magia do Caos já está morta, e o único debate é entre abutres sobre quem vai ficar com os maiores ossos”

Esta afirmação também foi feita por Stephen Sennit, o editor da revista Nox. Em retrospectiva, parece-me menos que a magia do Caos tenha “morrido”, e mais que o debate furioso que rebentou durante muitos anos se tornou maçador – chegou ao ponto em que a critica construtiva degenerou apenas numa batalha verbal. Talvez alguns mágicos do Caos se abanaram e perguntaram-se, afinal, o que é que se passava para tanto barulho. Por esta altura, Pete Carrol tinha começado a reformular a IOT em “O Pacto”, montando templos no Reino Unido, USA, e Europa. A IOT é vista como a ordem para mágicos do Caos “sérios” da mesma maneira que a OTO existe para Thelemitas “sérios”. Quando estou a escrever isto a IOT tem Templos no Reino Unido, América e Europa e, apesar da aparente estrutura hierárquica descrita no ultimo livro de Pete Carrol “Liber Chaos / The Psychonomicon”, parece existir muito espaço para novos crescimentos e experiências com a sua estrutura livre.

Depois de rever o crescimento da magia do Caos, podemos agora ver os seus princípios com maior profundidade.
 

Princípios da Magia do Caos


Enquanto os sistemas mágicos normalmente baseiam-se a si próprios em volta de um modelo ou mapa do universo espiritual/físico, tal como a Árvore da Vida (que hás vezes é descrita como um filofax cósmico), a magia do Caos baseia-se em poucos “Princípios Centrais” que geralmente sublinham a sua aproximação há magia (não são axiomas universais no entanto, por isso sintam-se livres de “brincar” com eles).

1. O evitar de Dogmatismo. A magia do Caos luta para evitar cair em dogmatismo (a não ser que expressar um dogma seja um sistema temporário em que entraram). Os Discordianos usam “Catmas” tais como “Nós Discordianos temos que mantermo-nos há parte!” Assim os mágicos do Caos sentem-se livres para mudarem de ideias, contradizerem-se e arranjarem argumentos que são alternadamente plausíveis e não plausíveis. Já foi referido que investimos muito tempo e energia em termos razão. Qual é o mal de ocasionalmente estarmos errados?

2. Experiência Pessoal é vital. Não tomem as minhas palavras de que isto e aquilo são o caso, verifique por si. A Magia já sofreu muito com “teóricos de cadeirão” que perpetuaram mitos e informação fora de tempo simplesmente por preguiça de um tipo ou outro. Hás vezes é engraçado fazer perguntas atrevidas só para ver o que os auto proclamados especialistas respondem. Alguns vão produzir uma diarreia verbal em vez de admitirem não saberem a resposta, enquanto um verdadeiro adepto provavelmente vai dizer “Eu não faço mer** de ideia nenhuma”. Muito cedo, os mágicos do Caos chegaram há conclusão de uma vez despidos os dogmas, crenças pessoais, atitudes e anedotas em volta de qualquer técnica em particular de magia prática, ela pode ser muito simplesmente descrita.

3. Excelência Técnica. Um dos primeiros mal entendidos sobre a magia do Caos, era de que dava carta branca aos seus praticantes para estes fazerem aquilo que quisessem, e assim ficar descuidada (ou pior desleixada) nas suas atitudes de auto apoio, análise, etc. Não é verdade. A aproximação do Caos sempre advogou um rigoroso auto apoio e análise, pondo ênfase na técnica que você está a experimentar até que consiga os resultados que deseja. Aprender a “fazer” magia requer que desenvolva um conjunto de habilidades e técnicas, e se se vai envolver nestas histórias estranhas, porque não até ao melhor das suas habilidades?

4. Des-condicionamento. O paradigma do Caos propõe que uma das primeiras tarefas do aspirante a mágico é perder o condicionamento a que está submetido pela chusma de crenças, atitudes, e ficções sobre o próprio, sociedade e o mundo. O nosso ego é uma ficção de auto estima que se mantêm a si próprio através de distinções de “o que Eu sou/o que Eu não sou, do que Eu gosto/do que Eu não gosto”, crenças sobre as políticas, preferências sexuais, religião, raça, subcultura, graus de vontade própria, etc. Tudo ajuda a manter um estado estável do próprio, enquanto que as maneiras que nós usamos contra esta mesma estabilidade permite-nos sentir como indivíduos únicos. Usando exercícios de descondicionamento, podemos começar a alargar as brechas na nossa realidade consensual que esperançadamente, nos permite ficar menos amarrados hás nossas crenças e ficções do ego, e então permite-nos abandonar ou modificar essas características quando apropriado.

5. Aproximações Diversas. Como mencionado antes, aproximações “tradicionais” há magia envolvem escolher um sistema em particular e mantermo-nos nele. A perspectiva do Caos, se nada mais, encoraja uma aproximação flexível para com o desenvolvimento, e os mágicos do Caos são livres para escolherem qualquer sistema mágico disponível, temas literários, televisão, religião, cultos, parapsicologia, etc. Isto significa que se se aproximar de dois mágicos do Caos e lhes perguntar o que estão a fazer nessa altura, é muito difícil encontrar muito consenso na aproximação. Isto faz o Caos difícil de agarrar como sendo uma coisa ou outra, o que mais uma vez preocupa aqueles que querem que uma aproximação há magia seja facilmente catalogada e clara.

6. Gnose. Uma das chaves para a habilidade mágica é a habilidade de entrar em Estados Alterados de Consciência há sua vontade. Nós temos tendência a desenhar uma linha entre “consciência normal” e “estados alterados”, quando na realidade movemo-nos entre estados diferentes de consciência – tais como sonhar acordado, “auto piloto” (quando fazemos as coisas sem cognição) e vários graus de atenção, em todas as alturas. No entanto, no que respeita há magia, a entrada voluntária em estados alterados pode ser dividida em dois pólos de “Gnose Psicológica” – estados de Inibição, e estados de Excitação. O primeiro inclui técnicas físicas “passivas” tais como a meditação, yoga, contemplação e privação de sentidos enquanto a ultima inclui cantos, tocar tambor, dançar, excitação emocional e sexual.
 
 

Diversidade Infinita, Combinações Infinitas


Como Eu disse antes, uma das características da aproximação da Magia do Caos é a diversidade de sistemas de magia que os praticantes podem escolher para “saltar” entre eles, em vez de se agarrarem a um em particular. Há, naturalmente, muitas aproximações diferentes ao utilizar o sistema dentro do Corpo do Caos, e Eu vou examinar agora alguns.

D.I.Y. (do it yourself – faça você mesmo)

Por outras palavras, crie o vosso próprio sistema, como o fez Austin Osman Spare. Criar o seu próprio, operacionalmente um sistema de magia válido é uma boa prática, e se vai conseguir ou não que outra pessoa também trabalhe com o seu sistema, isso é inteiramente consigo. Por outro lado, novos sistemas de magia são ocasionalmente válidos comercialmente. Um livro sobre o sistema = algumas ideias válidas depois claro uma sequela de desenvolvimento do material original, e depois também pode ir para um Tarot de acompanhamento, vídeos, cassetes, kits de expansão em lego, etc. Aparecer com a sua ideia original (na sua maioria) própria, é melhor (pelo menos na perspectiva do Caos) do que fazer rituais de outras pessoas e seguir continuamente ideias de outras pessoas. Fazer algo inovador (especialmente se não conhece ninguém que já o tenha tentado) é muito bom para construir a sua própria confiança. Eu lembro-me, de há alguns anos, fazer um ritual e pensar “Hei, Eu desenhei mal os pentagramas para este, e assim não notei nada” – pelo menos não apareceu nada de mau dos trabalhos em madeira.

Meta sistemas

Há uma grande tendência hoje em dia para as pessoas tentarem e criarem meta sistemas – isto é, sistemas em pode ser introduzida qualquer coisa e tudo, e que explicam, que dar tempo, tudo vale a pena explicar. Assim vemos tentativas de misturar Runas com Tarot, colocar virtualmente tudo na Árvore da Vida, e muitas teorias/baboseiras (apague apropriadamente). Não há nada de mal com isto – outra vez, é muitas vezes um exercício útil. Também pode ser engraçado, especialmente se encontrar uma explicação plausível para algo baseado no “feito pelo próprio” ou factos “esquivos”, e muitas pessoas dizem “Huau! Isso é verdadeiramente fantástico” (há alguns anos um autor lançou uma versão do livro de Lovecraft, Necronomicon, que parecia boa, mas que de facto era vazia. Assim ele recebeu montes de cartas de pessoas que tinham experimentado os rituais e queriam falar sobre os seus resultados). Isto também é importante quando olhamos para uma crença como uma ferramenta mágica, e mais tarde falo sobre isso.

Pessoalmente, Eu gosto de muitos sistemas diferentes, e uso-os como acho apropriado. Tenho tendência para saltar entre a D.I:Y., Qabalah, Tantra, Mitos de Chtulhu, Shamanismo, e tudo o mais que Eu pense ser apropriado em qualquer momento em particular. Vale a pena entrar num sistema com alguma profundidade, para que assim se torne mais ou menos competente (e confiante) com ele, mas os mágicos tendem a achar que depois de se tornarem competentes num sistema, então é mais fácil alcançar outro. Se por exemplo já estiver experimentado com o Enochiano, por exemplo, então não terá muitas dificuldades com as Runas.

Ciência do Caos

Alguns mágicos do Caos têm tendência a usar muitas analogias/metáforas cientificas nos seus trabalhos. Isso é bom – afinal a ciência vende detergentes e carros – se algo puder ser mostrado com uma base “cientifica”, então muitas mais pessoas vão prender a sua atenção, especialmente “tarados” dos computadores, estudantes de física, etc. Tudo ajuda a criar um “compartimento” para a crença. Não precisa de ser ciência “dura”, “psedociência” funciona igualmente bem, conforme o prova o numero de livros “New Age” que asseguram que os cristais acumulam energia “tal como um chip de computador o faz” o mostra. Não estou a tentar ser implicativo (está bem, mas só um pouco), e igualmente, uma vez que é o factor de crença a coisa importante, então você pode usar astrologia, alquimia, Teosofia, ou o que quer que lhe agrade, desde que você (ou outra pessoa) o ache coerente e útil. Só porque está a ser cientifico não significa que esteja ser sério ao mesmo tempo.

Patetice do Caos

Foram os Discordianos que apontaram que de entre a longa lista de dualismos que os ocultistas tinham prazer em usar, a oposição de sério/humor fora deixada de lado. O humor é importante na magia. Como a Janet Cliff uma vez disse, nós somos demasiado importantes para nos levarmos a sério. Alguns membros do Pacto IOT, usam o riso como uma forma de banir, e claro que não há nada como o riso para desinflamar o pomposo, alguns ares ocultos auto importantes que um encontra de tempos em tempos. IMPORTANTE: os rituais podem ser patetas e não menos importantes do que aqueles em que têm de manter uma cara séria. A magia é divertida – de outra maneira, porquê faze-la?

Modelos Mágicos

A maneira como é concebida a magia muda consoante os paradigmas do pensamento ocorrem. Até muito recentemente (num sentido histórico alargado), os praticantes de magia subscrevia o Modelo do “Espirito” da Magia, que basicamente diz que os Outros Mundos são reais, e habitados por panteões de criaturas discretas – elementais, demónios, anjos, deusas, deuses, etc. O trabalho de um mágico ou shaman é desenvolver (ou herdar) um mapa do Outro Mundo – conhecer os atalhos, e fazer alguns amigos (ou contactar parentes) aí. Feito isso, têm que interagir com esses espíritos de uma maneira dada, fazer com que eles executem a sua vontade. Assim os clérigos rezam, os shamans inserem cogumelos nos seus orifícios de modo a conhecerem os seus antepassados, enquanto os satânicos ameaçam as entidades a se submeterem atirando pedaços rasgados do Antigo Testamento.

Por volta do século 18, e o aparecimento da Ciência, a ideia de “magnetismo animal” apareceu no ocidente, sendo a primeira manifestação de “Energia” do Modelo de magia. Esse modelo coloca ênfase na presença de “energias subtis” que podem ser manipuladas usando muitas técnicas. Ao mesmo tempo surge Bulwer Lytton e a sua ideia de energia “Vril”, Eliphas Levi e a Luz Astral, Médiuns, e ectoplasma, contas “populares” ocidentalizadas actualizadas de Prana, Chakras, e Kundalini, e por fim, a energia Orgone de Wilhelm Reich.

O próximo acontecimento surgiu com a popularização da Psicologia, principalmente devido hás histórias Psico analíticas de Freud, Jung, e companhia. Durante esta fase, os Outros Mundos passaram a mundos interiores, os demónios foram reinstalados na Mente Inconsciente, e Mestres Escondidos passaram a ser manifestações do “Eu Superior”. Para alguns expoentes tardios deste modelo, as cartas de Tarot deixaram de ser um sistema mágico de adivinhação e passaram a ser “ferramentas” para transformação pessoal, tal como os deuses/deusas passaram a ser vistos como entidades não “reais”, mas símbolos psicológicos de arquétipos.

O modelo correntemente a subir e a aparecer é o modelo “Cibernético”, quando entramos numa era em que começamos a ser uma cultura baseada na informação. Este modelo diz que o Universo, apesar das aparências, é estocástico por natureza. A Magia é um conjunto de técnicas para erguer uma tempestade neurológica no cérebro que traz flutuações microscópicas no universo, e que leva a alterações macroscópicas – de acordo com a intenção do mágico. Veja a Ciência do Caos, o efeito da Borboleta, e tudo isso. Outra manifestação do Modelo Cibernético aparecida vinda da asserção new age, é que os cristais funcionam “tal como” chips de computador. Há sinais de que o Modelo Cibernético, volta-se para trás, para o modelo espiritual, e em “Chaos Servitors: a user’s guide”, vai encontrar uma razão razoavelmente coerente de que os campos de informação localizados podem, após algum tempo, tornarem-se auto organizados até há extensão de que os experimentamos como entidades autónomas – espíritos.

Cada modelo em particular tem o seu chamamento atractivo, com expoentes e oponentes em ambos os lados. Muitos livros sobre o oculto contêm elementos dos modelos do Espírito, da Energia, e da Psicologia e felizes por isso. Também vale a pena notar que se se encontrar na posição de ter que “explicar” este material estranho a um não aficcionado, ou céptico, então o modelo Psicológico é provavelmente a sua melhor aposta. Nestes dias as pessoas que subscrevem um modelo espiritual, se não forem elas próprias de persuasão oculta ou pagã elas próprias, pensam que têm os direitos sobre a forma de uso dos espíritos! Se a pessoa for um “tarado” por computadores ou um “freak” por fractais, entoa siga o paradigma “cyberpunk”. Os cientistas só aceitam um modelo se o conseguirem por a “rolar” com algo. Um bom exemplo é a Acupunctura, que até recentemente era explicada usando o modelo de Energia, e gozada pelo estrato cientifico estabelecido até que alguém apareceu com a estimulação por Endorfinas. Agora a maioria dos departamentos de fisioterapia hospitalar têm um conjunto de agulhas.

Enquanto alguns mágicos têm tendência a ficarem ligados a um modelo específico, é muito útil saltar entre modelos em conformidade com a situação, assim alguns modelos têm um poder “explicatório” mais forte sobre alguns aspectos de magia do que outros. O modelo do Espírito, sendo de longe o mais antigo, pode fazer contas com qualquer aspecto da magia do que outros. O modelo Psicológico, enquanto útil como processo para o desenvolvimento pessoal, têm dificuldades em aspectos como o shamanismo tribal amaldiçoando ocidentais que (a) não acreditam em magia (b) não viram ainda os shamans a “morder” (c) acabam por se destruir sempre em enxames ou bolhas de qualquer maneira. Se se limitar a só usar um sistema de magia, mais cedo ou mais tarde o Universo vai presentea-lo com algo que não encaixe nos seus parâmetros. Quando está a gastar mais tempo a defender os seus modelos, do que a modifica-los, então sabe que está na hora para outra pausa de descondicionamento...apresente-se no quarto 101.

Todos saúdem Discordia

Pentagrama Espiral

Magia de Sigilos

Acreditar – Uma chave da Magia

Exercícios Básicos
 
 

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MultiCabala dos Muito Confusos

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